Filme Dirigido por Mike Newell (Donnie Brasco)
Como sabemos Monalisa, é a mais notável e conhecida obra do pintor Leonardo da Vinci. O quadro apresenta uma mulher com uma expressão introspectiva e um pouco tímida. O seu sorriso restríto, que deixa ver ligeiramente os dentes, é muito sedutor, mesmo que um pouco tímido. Diante de tais características, enquadramos a professora Katherine Watson ( atriz Julia Roberts possui tais características, foi muito bem escolhida para o papel) , convidada a ensinar na Escola Weelesley com métodos totalmente tradicionais, encontra algumas dificuldades em tentar estabelecer uma "nova metodologia", chamada pela maioria de uma "mentalidade liberal" que de certa forma abalaria as normas desta escola, porque "fugiria" ao programa pré-estabelecido.Tal situação seria inadmissível, pois tratava-se de uma escola muito importante que respondia aos ideais da época (início da déc de 50), onde chegou a estudar pessoas imporatantes ( para quem foi além do filme sabe que pessoas como a esposa do ex-presidente dos EUA Hillary Clinton foi uma aluna de wellesley)
Em seu primeiro dia de aula Katherine Watson depara-se com uma turma totalmente preparada, desafiadoras, com respostas sempre prontas e corretas para o programa apresentado, tal situação evidencia a sua inadequação diante daquelas alunas e as mesmas se encarregam de mostrar a professora que ela esta fora de contexto, causando assim uma pressão psicológica, insegurança, um certo "medo" seguido de lágrimas diante de ares tão ameaçadores em relação a sua função.
Após pensar em tais acontecimentos, Katherine resolve levar para a sala de aula métodos inovadores que fogem do programa apresentado pela escola, causando assim surpresa nas alunas ao se depararem com "o novo". Tal atitude causa uma discussão em sala de aula, abrindo assim um leque de opções em relação aos assuntos de sala de aula. Seus ensinamentos etavam començando a ir "além dos muros daquela escola".
Em uma das cenas do filme Katherine demonstra uma pintura ( pois a mesma lecionava artes) e diz:
- "Vamos olhar novamente, vamos tentar abrir nossas mentes para uma nova concepção".
Encaramos isso como uma crítica, meio que indireta, a suas alunas que se negavam a aceitar novos caminhos, afinal é normal que as pessoas neguem "o novo", é estranho lidar com o que não conhecemos, por isso tememos e a primeira atitude é de negar.
Não só esta, mas muitas outras atitudes de Katherine são vistas com maus olhos e seus "métodos heterodoxos" são demais para a escola. Em uma reunião a diretora explica que Katherine DEVE trabalhar de acordo com as normas didáticas da escola ou caso contrário a mesma é demitida.
Há uma acomodação geral por parte dos professores, embora a maioria saiba muito bem o quanto as mudanças são necessárias, é muito mais fácil para eles continuarem quietos e continuarem levando a diante com o famoso "eu não posso mudar tudo sozinho" do que tentar como Katherine estava fazendo, pois as mudanças sempre são possíveis desde que haja um esforço das duas partes ( tanto da escola quanto dos professores).
Há uma cena fantástica no filme em que Katherine mostra um famoso quadro de Van Gogh, cujo o título é Os girassóis, pintado por ela mesma e em seguida mostra uma caixinha que ensina como fazer através de "novos" métodos, mas que apenas ajudam a copiar. Em seguida ela diz:
- "A escolha é de vocês, meninas, podem se conformar com que as outras pessoas esperam ou vocês podem ser vocês mesmas".
Mais uma vez a questão de não se conformar com as coisas prontas, sempre ter em mente a inovação.
Apesar de O sorriso de Monalisa ser dirigido a uma análise do papel feminino na década de 50, nós conseguimos retirar alguns pontos no que se refere ao trabalho em sala de aula, dando prioridade ao trabalho da professora. É engraçado como conseguimos encontrar erros em certas atitudes tomadas pela sociedade daquela época e temos maior facilidade de criticar, porém o mais engraçado é saber que mesmo depois de um pouco mais de meio século a sociedade ainda continua realizando os mesmos erros em relação a educação nas escolas (ironia minha). O pior de tudo é saber que além de tudo isso, há um certo descuido dos professores em relação a não tocar neste ponto. Em nossas pesquisas de campo encontramos professores que não se importavam com esta questão, a de inovar em sala de aula para abranger o conhecimento do aluno, se acomodando na justificativa que não adianta fazer isso sozinho enquanto a maioria não o faz também. Tal pensamento egoísta leva a criação de profissionais acomodados e de alunos bitolados e sem preparo para uma visão geral de mundo. Limitados aos muros da escola e despreparados para as vivências reais, até porque a vida é muito além de que algumas horas presos em salas de aula. É natural existir professores que "empurram com a barriga" a sua profissão, omitindo o seu papel de verdadeiros educadores na vida dos cidadãos que lá estão confiando a formação de seu conhecimento.
É natural, mas ainda é natural porque permitimos.Ignoramos o fato de isso acontece nas salas de aula por todo o mundo. Lutamos pelos nossos direitos, por uma sociedade melhor, por um pais melhor, mas esquecemos que tudo que somos teve inicio numa sala de aula.
As autoridades que se julgam competentes em nosso pais, querem que tudo continue exatamente da maneira que esta, professores acomodados e alunos sem visão critica para as coisas numa visão global.
Realmente é uma tarefa difícil implantarmos tais inovações em sala de aula, mas podemos ser pioneiros em tais atitudes, podemos começar a fazer a diferença como Katherine começou em Wellesley, como podemos ver no final do filme, ela não conseguiu mudar aquela instituição, mas conseguiu plantar uma semente em cada uma de suas alunas, mudando de certa forma a maneira de encararem o mundo, mostrando a capacidade que há cada uma delas.

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